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  Resumo dos Melhores Artigos Científicos:

DR. VITAL PAULINO COSTA

No momento em que iniciamos nossa coluna a respeito dos melhores artigos científicos sobre glaucoma, gostaria de tecer alguns comentários sobre os trabalhos relacionados ao glaucoma apresentados na quarta feira, dia 30/10/96, na Academia Americana de Oftalmologia.

O Latanoprost, um análogo da prostaglandina F2 que promove redução da pressão intra-ocular através do aumento do fluxo uveo-escleral, foi o objetivo de três estudos apresentados nesta Reunião. Camras et al. realizaram um estudo multicêntrico, duplo-mascarado e randomizado para comparar a eficácia do latonoprost 0.005% e do timolol 0.5% 268 pacientes com pressão intraocular elevada seguidos por seis meses, e observou-se um maior efeito hipotensor do latanprost (p<0.001). Hedman et al. também realizaram um estudo randomizado, duplo-mascarado e multicêntrico para comparar a redução da pressão intraocular promovida por essas duas drogas em 716 pacientes com hipertensão ocular ou glaucoma primário de ângulo aberto. A redução da pressão intraocular promovida pelo latanprost foi maior (1.3 mmHg), e a chance de se atingir uma pressão alvo pré-determinada foi 1.8 a 4.0 vezes maior em pacientes que receberam latanoprost. Os mecanismos envolvidos no escurecimento da íris, que ocorreu em cerca de 5% dos pacientes que receberam latanoprost (especialmente aqueles com íris verdes), não foram esclarecidos e suas conseqüências são desconhecidas.

Sabendo que o dano glaucomatoso ao nervo óptico pode estar associado à hipoperfusão do mesmo, Drance e cols. sugeriram o uso da pressão de perfusão ocular (PPO=2/3 pressão arterial média - pressão intraocular) como um parâmetro a ser controlado em pacientes com glaucoma. Este estudo revelou que o latanoprost promoveu um maior aumento da PPO (8%) do que o timolol (2%) em 36 pacientes com glaucoma de pressão normal (p<0.02). Esta diferença ocorreu em razão de uma maior redução da PIO promovida pelo latanoprost e por uma discreta redução da pressão arterial causada pelo timolol. Outros estudos serão necessários para investigar as vantagens e desvantagens de se utilizar o latanoprost como droga de primeira escolha no tratamento do glaucoma.

Iester et al. acharam uma boa correlação entre uma fórmula discriminadamente obtida com o Heidelberg Retina Tomograph e os índices globais da perimetria computadorizada Humphrey (mean defect, pattern standard deviation, short term fluctuation, corrected pattern standard deviation). O estudo foi realizado em 60 pacientes normais, 69 pacientes com hipertensão ocular, 130 com glaucoma primário de ângulo aberto e 49 com glaucoma de pressão normal. No futuro, outros estudos terão que avaliar a aplicabilidade desta fórmula na detecção de dano precoce ao nervo óptico em pacientes com glaucoma. Bayer aplicou uma bateria de 10 testes psicofísicos a 36 olhos com glaucoma primário de ângulo aberto e 29 olhos com glaucoma de pressão normal e observou diferenças significativas em relação ao teste de visão de cores, perimetria azul/amarelo, perimetria com "flicker" e "pattern ERG". O autor sugeriu que esse achados poderiam constituir evidência da existência de mecanismos para explicar o aparecimento de defeitos de campo visual em pacientes com glaucoma.

Num estudo parcialmente retrospectivo, Zalta observou limitações do Glaucoma Hemifield Test (GHT) na identificação de defeitos precoces de campo visual no glaucoma. Num grupo de 331 olhos com glaucoma inicial, ele observou GHT "within normal limits" em cerca de 27% de 1700 exames, apesar da presença de escotomas reprodutíveis no gráfico "pattern deviation". O discutidor deste estudo, o Dr. Alfred Sommer, lembrou que deve se tomar muito cuidado em se fazer o diagnóstico de glaucoma baseado exclusivamente em exames de campo visual, e que a falta de um "gold standard" certamente torna o diagnóstico de um defeito precoce de campo visual bastante difícil.

Finalmente, num estudo muito elegante, Rosenberg e cols. investigaram se pacientes recebendo acetazolamida se beneficiariam do uso de dorzolamida e vice-versa. Os autores demonstraram que não há efeito hipotensor adicional quando se administra acetazolamida (250 mg VO) a pacientes recebendo colírio de dorzolamida 2% três vezes ao dia. Também não se observou efeito adicional na redução da produção do humor aquoso (medida por fluorofotometria) quando a acetazolamida foi associada à dorzolamida, sugerindo que a porcentagem de inibição da anidrase carbônica promovida pelas duas drogas é elevada e semelhante. Os autores sugeriram que não é possível excluir um efeito adicional com doses maiores de acetazolamida, o que poderia ocorrer não por inibição da anidrase carbônica, mas secundariamente à acidose metabóloca.

Resumo dos Melhores Artigos Científicos

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